Precisamos conversar sobre “Farofei”

Este artigo de opinião não é recomendado para quem ficou preso na era Batuk Freak.

Karol Conka recentemente presenteou os fãs com o terceiro single do seu próximo álbum de estúdio, intitulado Ambulante. Farofei é fruto de uma parceria com o DJ e Produtor Boss In Drama e a dupla de DJ’s do Tropkillaz – que também são responsáveis pela produção de todo o álbum.

A música foi lançada às 00h de 3 de fevereiro em todas as plataformas digitais e seu clipe foi lançado no mesmo dia, às 18h no canal do KondZilla no Youtube. Kond que foi responsável pela direção do clipe. O vídeo foi gravado no Japão no início de dezembro de 2016.

Desde o lançamento da canção, notamos que algumas pessoas têm opiniões diferentes sobre a mensagem da música, e apesar de nós, do Nação Conka compreendermos o porquê de cada frase, vamos explicar cada trecho e tentar fazer com que as pessoas prestem um pouco mais de atenção na mensagem da música.

Então vamos lá!

Quando não era famosa
E tava cheia de conta pra pagar
Ninguém queria me ajudar
Agora que eu sou poderosa
E tenho condição pra me bancar
Todo mundo querendo criticar

Não é muito difícil entender que na estrofe acima, Karol diz que as pessoas se acham no direito de criticá-la só porque agora ela se tornou uma figura pública.

Negrita se vendeu e se esqueceu da onde veio
Era do hip hop agora se perdeu no meio

Algumas pessoas não estão preparadas para lidar com artistas com opinião própria e que fazem o que querem com sua arte.

Em mentes limitadas, artistas com raízes no rap/hip-hop, são terminantemente proibidas de cantar músicas consideradas “comerciais”, alegam que os verdadeiros rappers não podem aparecer na televisão, porque aparecer na mídia, é se vender, mas se esquecem que a crítica social precisa ultrapassar as barreiras das periferias e chegar até os ouvidos de quem não vive o mesmo cotidiano de quem vive nas comunidades, seja de forma comercial ou não.

Quem conhece e acompanha Karol Conka, sabe que ela não se limita quanto à sua arte, e nem vive na mesmice, nunca podemos esperar o óbvio dela, a não ser que o óbvio seja o diferente.

A letra é clara, Karol Conka não esta se importando com o que as pessoas vão falar sobre ela, a mensagem continuará sendo transmitida da forma que ela se sentir confortável e feliz, que é o que realmente importa.

Parece que o mundo não esta preparado para essas mudanças – o que é triste – podemos tirar essa conclusão quando olhamos para o cenário da música atual e vemos que grandes divas internacionais estão sendo criticadas por atuar em outros estilos, como exemplo, temos Beyoncé, Rihanna e Lady Gaga – a que mais sofreu por ter ido do POP ao Jazz.

Não vou fugir de mim
Só quero diversificar

É importante saber que o Batuk Freak já eternizou sua mensagem e não é porque uma fórmula deu certo que ela deve ser repetida de forma maçante, isso torna a vida do artista incompleta, não sair da zona de conforto não é evolução é mesmice.

No trecho acima, Karol deixa a mensagem dizendo que não há motivos para se preocupar, ela vai continuar sendo ela mesmo, com letras que passam importantes mensagens, e que não há problema você querer mudar – no caso, o estilo – a mudança é necessária e faz parte.

Então vamos todos nos permitir mudar, crescer e fazer o que nos completa, sem se preocupar com aceitação das pessoas, não há como agradar o todo mundo – nem se deve tentar.

O recado de “Farofei” é para que as pessoas se permitam ser o que quiserem, sem se preocuparem com julgamentos.